HISTORIA

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Resumo

RESUMO - BIOGRAFIA DE BERNARDO MONTEVERDE

BERNARDO, VIDA E OBRA

1912. Início do século. Grassavam as epidemias de febre amarela e malária, ceifando centenas de vi­das em todo o País. Foi nesse cenário, na pacata Joinville, Santa Catarina, que Bernardo chegou ao mundo, nascido da união dos imigrantes David e Augusta, recém-chegados a terras brasileiras, e ali passou os primeiros anos de sua infância.

Quando tinha 7 anos, seu pai faleceu no Rio de Janeiro, cidade para onde a família tinha ido, em busca de melhores condições de vida. Com o ocorrido, Augusta levou os filhos Henrique, Anita e Bernardo para o Nordeste, fixando-se em São Lourenço da Mata, distante 40 quilômetros do Recife. Ali, viveram dois anos, mudando-se para a histórica Olinda, onde Bernardo concluiu o curso primário. Voltando ao Recife, o rapaz iniciou os estudos secundários no Ginásio Pernambucano.

Foi exatamente aí que seu destino tomou importan­te e decisivo rumo. Reprovado em latim, devido às dificuldades ocasionadas pela intensa miopia (ti­nha apenas dez por cento da visão), ferido em seu orgulho, decidiu, sem o consentimento e o conheci­mento da família, aventurar-se pelo mundo. Era o Bernardo curioso, era aquele menino que existe dentro de todo adolescente descobrindo a vida. E, com al­guns trocados economizados, saiu à procura de emprego. Conseguiu, após muita luta, o cargo de marinheiro nos barcos do Lloyd Brasileiro que trafegavam ao longo do Rio São Francisco, ou, como carinhosamente o chamam os nordestinos, o Velho Chico, viajando de Juazeiro a Pirapora. As manhãs, tardes e noites eram ali passadas, no correr das águas e das paisagens, com o tempo re­petidas. Nessas horas, Bernardo refletia, ansiava por algo mais. Nos recônditos de sua alma, batia a saudade cruel da mãe e dos irmãos e a ânsia de regressar vitorioso, mostrando que sua capacidade ia muito além de um simples teste escolar. Assim, os dias passavam e os meses ficavam, no ir e vir dos barcos. Um dia, porém, alguém se deba­teu nas águas e Bernardo se lançou de imediato do costado da embarcação. Era um ancião, já prestes a afogar-se. Salvando-o, pelo ato de bravura, Bernardo alcançou sua primeira promoção, sendo elevado ao posto de comissário de bordo.

Ainda se passaram alguns anos e o rapaz prosse­guia com suas economias. Chegou o ano de 1930. Contando, então, 18 anos, cônscio dos deveres para com a Pátria, alistou-se na Marinha. Passando para a reserva, decidiu tornar-se negociante. Adquiriu um cavalo e algumas mercadorias com o dinheiro que conseguira juntar e partiu para os sertões, indo de cidade em cidade, vendendo, comprando, trocando os mais diversos produtos. Nessas andanças, depa­rou com a realidade brasileira, a pobreza de nosso interior, a singeleza do casario, a humildade como­vente de seus habitantes, a precariedade de condi­ções de vida, a cruel seca, as lavouras mal dando para a subsistência, as festas populares. Foi numa dessas paragens que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente dois personagens deveras famo­sos e polêmicos de nossa história: Virgulino Ferreira, o Lampião, rei do cangaço, e Padre Cícero Romão, o Padim Ciço, de Juazeiro. Com Virgulino ele bateu um dedinho de prosa e comeu carne-de-sol; de Padre Cícero, recebeu a bênção, como bom e tradicional nordestino, apesar de não o ser. Os sertões e seu ritmo peculiar, suas tradições... tudo Bernardo, em sua curiosidade, observou, podendo-se dizer que foi um dos raros brasileiros a orgulhar-se de conhecer profundamente este chão e este povo. E continuou devorando distâncias, acumulando experiências, consolidando conhecimentos que se transformariam, depois, na sapiência tranquila que fez parte marcante de sua personalidade, sua mais evidente característica.

Chegou, finalmente, o ano de 1939. Bernardo já ti­nha conseguido amealhar uma pequena importância com o trabalho árduo de caixeiro-viajante e 500.000 réis deram início à fundação da Conservadora Americana, hoje Monteverde Comércio e Indústria Ltda., empresa que dirigiu até o seu falecimento, em 29 de junho de 1997, junto com a esposa, Esterzinha, com quem se casou em 1o de maio de 1945. Era uma época de maiores perspectivas para o planeta, com o fim da Segunda Guerra Mundial e uma nova etapa na vida do promissor empresário, agora tendo com quem compartilhar anseios e esperanças. E Esterzinha se mostrou um ser especial, um com­plemento indispensável na vida de Bernardo, pois, além de companheira leal, passou a lutar a seu lado na direção da empresa. No ano seguinte ao seu casamento, nasceu o primogênito, a quem foi dado o nome de William. A alegria dos festejos de fim de ano se juntaram as comemorações pela chegada do primeiro filho. Atualmente, William é advogado, radicado em Teresópolis, onde possui um escritório. Alguns anos mais tarde, nasceu o segundo filho do casal, Paulo, que seguiu a mesma carreira do irmão. O terceiro e último filho, David, recebeu o nome do avô paterno. Portanto, são três filhos e cinco netos, frutos de uma união de 52 anos, que deverão perpetuar não só o nome, mas também os valores morais e espirituais dos Monteverde.

Bernardo foi um exemplo para filhos, netos, funcio­nários, enfim, para todos aqueles que com ele convi­veram. Era um homem modesto, simples e amigo, apesar de todas as conquistas profissionais e pessoais, de todos os títulos, homenagens e prêmios que recebeu e continua recebendo em memória. Dentre eles, pode­mos citar o título de Cidadão Benemérito do Rio de Janeiro, Cidadão Paraense, Cidadão Cuiabano, Cidadão Honorário de Teresópolis, Cidadão de Itabuna, Cidadão Petropolitano, Grã-Cruz da Ordem Cultural Bernardo Sayão, Pioneiro de Brasília, Amigo dos Bombeiros do Distrito Federal, Benemérito da Academia de Letras e Artes de Paranapuã, Benemérito do Projeto Marechal Rondon, Empresário Destaque 83/84 da Revista Visão, Empresário Destaque na Revista Brasília 83, Integrante do Conselho Deliberativo da ORT – RJ, Conselheiro da Fierj e tantos outros. Recebeu, post mortem, o Título de Cidadão Honorário de Brasília e foi condecorado, in memoriam, com o grau de Comendador da Ordem do Mérito de Brasília, o Diploma de Reconhecimento à Excelência Profissional, pelo Rotary Club de Brasília, o Diploma de Reconhecimento do Setor de Prestação de Serviços, da ESPS. Bernardo foi um homem que sempre buscou o aper­feiçoamento, tentando compreender os limites do ser humano. Estudava, buscava, construía, admi­nistrava, percorria de bicicleta, trem, bonde, o que fosse, estas terras brasileiras. E nos perguntamos: onde foi buscar tanta energia, disposição e deste­mor? Parte é fruto dele mesmo, já nasceu predesti­nado, para aqueles que acreditam em destino traça­do, e parte ele conquistou bravamente, para aqueles que creem que o homem pode interferir no curso da própria existência.

Bernardo era um homem que norteava suas ações por conceitos filosóficos com os quais se identifi­cava. Estudioso da Logosofia durante muitos anos, acreditava que o conhecimento das leis universais muito colaborou para o seu desenvolvimento pes­soal e para o seu sucesso profissional, sendo um indivíduo livre e de bons costumes. Estava sempre almejando um mundo justo e perfeito.

Assim era Bernardo. Nada como suas palavras para fechar este breve resumo de uma grande vida, vivida e cumprida de sol a sol. Por ocasião da solenida­de de entrega do Título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, proposta pelo Deputado Jorge David, em 26 de agosto de 1986, Bernardo Monteverde proferiu o seguinte discurso: „Peço desculpas, pois a emoção tomou conta de mim, estou muito emocionado. Contudo, vou tentar externar o meu sentimento. Naturalmente, o meu sentimento e minha mais profunda gratidão. Exmo sr. deputado Gilberto Rodrigues, presidente desta solenidade; exmo sr. deputado Jorge David; exmo sr. deputado Mariano Gonçalves Neto; exmo general Hermes Guimarães, presidente da Associação Brasileira para o Desarmamento Moral; exmo sr. professor Lyoji Okada, magní­fico reitor da Fundação Logosófica do Rio de Janeiro; e, por fim, a minha querida Esterzinha; Caríssimos convidados, o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, com o qual estou sendo honrado, e as palavras que acabamos de ouvir me deixaram profundamente sen­sibilizado. Não encontro adjetivos suficientes para agradecer à magnitude e à generosidade do ilustre senhor deputado Jorge David, autor do projeto, e demais membros deste Legislativo, que aprovaram por unanimidade este valioso título. Sinto-me feliz com esta homenagem, que servirá como um poderoso estímulo para continuar cola­borando em tudo o que possa ser útil para o pro­gresso e a prosperidade do nosso querido Estado do Rio de Janeiro. Estou consciente de que nada mais fiz além do meu dever. Não me considero um benemérito, mas, sim um beneficiado.

O fato de ser quase octogenário, não me entristece nem me aflige, pois, além de contar com a precio­sa amizade dos amigos aqui presentes, também sou grato ao Supremo Criador desse mundo maravilho­so, por nos proporcionar a ventura e a satisfação de desfrutar as infinitas belezas do universo em toda a sua plenitude. Para triunfar na vida, é importante saber que tudo depende de nós mesmos, de nossos esforços e de nossas ações. O essencial é sermos capazes de tolerar as faltas alheias e reprimir as nossas. As divergências de opinião jamais devem ser moti­vo de desentendimento e hostilidade. O interesse individual deve ser sacrificado em prol do bem coletivo. Para nos sentirmos realmente realizados, devemos ser úteis aos nossos semelhantes e cultivar a bonda­de em toda a sua extensão. O afeto, a generosidade, a gratidão e, sobretudo, o puro e verdadeiro amor devem presidir todas as nossas ações. Foi dentro desse princípio que procurei estruturar a minha vida e de minha família. Considero-me gratificado com os frutos que venho colhendo. A vida não deixa de nos proporcionar toda sorte de revezes e na minha longa caminhada enfrentei duramente muitas e muitas dificuldades. Felizmente, consegui superar todos os problemas e transpor todos os obstáculos. Continuo sempre na luta com entusiasmo, vigor e esperança inabalável. Gostaria de poder transmitir a todos esta esperança e a fé na vitória dos conceitos positivos que sempre me inspiraram, na certeza de que assim alcançare­mos um mundo melhor. Para finalizar, reitero a todos a minha mais profun­da gratidão.

Dizia frases que sempre utilizava nas ocasiões ne­cessárias e vale repetir suas mais contundentes:

  • Como é bom ser bom!
  • Nossas boas ações semearão nosso futuro.
  • Temos sempre de ser úteis aos nossos semelhantes.
  • Os bons exemplos deverão ser sempre seguidos.
  • O mais humilde merece nosso respeito.
  • Afeto, amor e respeito não se compram, se adquirem.
  • Na vida, as grandes conquistas dependem unica­mente de nossos esforços.
  • A verdadeira conscientização da psicologia hu­mana é a visão do discernimento, do entendimento e da tolerância.
  • Continuo na luta sempre, com entusiasmo, vigor e esperança inabalável.
  • Devemos ser tolerantes com as deficiências dos outros e reprimir as nossas com o máximo rigor.
  • A felicidade, ou se compartilha ou se perde, pois ninguém pode ser feliz sozinho.